Deputados mexicanos, preocupados com o aumento de divórcios no país, propuseram uma nova lei: o casamento renovável. Eles acreditam ter criado a solução ideal para evitar graves crises conjugais, traições e todos os desgastes do divórcio. A cada dois anos, o casal pode avaliar a relação e decidir se quer continuar junto e renovar o casamento ou se quer desistir e seguir cada um para o seu lado. Além da assinatura de um contrato temporário, a proposta prevê ainda que os noivos se protejam contra um hipotético cenário de divórcio. Para isso, decidem, antes de casar, quem ficará com a guarda dos filhos e quanto cada um pagará de pensão alimentícia em caso de separação.
A proposta, que tramita no Congresso, tem amplo apoio dos mexicanos, que querem acabar com os altos custos das separações e das pensões alimentícias. Afinal, as estatísticas na Cidade do México são pouco animadoras no que diz respeito ao casamento: cinco em cada dez uniões terminam em divórcio.
Se a lei passar, uma conversa como esta entre alunos na escola não será ficção:
— E aí, onde você vai passar as férias? — pergunta um garoto ao colega.
— Bom, depende. Se meu pai renovar o contrato com a minha mãe no final do ano, vamos para a Disneylândia. Se não, vou ter que ver qual dos dois vai querer ficar comigo, e pelas notas que estou tirando, provavelmente vão me mandar para a casa da minha avó...
Não quero ser um portador de más notícias, mas aqui está um fato: o casamento como instituição está falindo sob pesados ataques de várias forças na sociedade. O que estão propondo no México é apenas um sintoma do que os governantes estão tentando fazer para lidar com o alto número de divórcios. E não é somente lá. Não conheço nem um só caso de algum país, alguma cultura ou sociedade no mundo em que o casamento esteja sendo fortalecido, nem mesmo nas culturas tradicionais e altamente religiosas.
Nos Estados Unidos, o grande ditador da cultura para o restante do mundo, a maioria dos bebês nascidos de mulheres de até trinta anos de idade já nascem fora do casamento. Renomados sociólogos americanos também já argumentam que a figura do pai não é necessária em uma família.
Dá para perceber para onde estamos caminhando?
Mesmo onde os índices de divórcio publicados são mais baixos, eles apenas escondem a realidade: menos pessoas estão se casando, pois optam pela “união estável” e, por esse motivo, quando se separam não é registrado como divórcio; e muitos dos que se mantêm na relação — por falta de opção ou fortes pressões religiosas — seguem infelizes.
Quando vejo essa realidade, fico pensando como as coisas estarão daqui a cinco, dez, ou vinte anos. Será que a extinção do casamento terá sido consumada? Será que as pessoas ainda acreditarão que casamento por toda a vida é possível? Serão os conceitos de fidelidade conjugal e lealdade a uma só pessoa coisas apenas de museu e filmes históricos?
Aqui vai um alerta aos que ainda não despertaram: As forças da sociedade conspiram contra o casamento e a família — e seus ataques estão cada vez mais fortes.
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